31 de janeiro de 2023
Segundo a Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica (SBPC), a cada ano milhões de pessoas desenvolvem graves transtornos do comportamento alimentar. A maioria dessas pessoas, cerca de 90%, são adolescentes mulheres.
O que é?
Segundo a Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica (SBPC), a cada ano milhões de pessoas desenvolvem graves transtornos do comportamento alimentar. A maioria dessas pessoas, cerca de 90%, são adolescentes mulheres.
Um dos 06 transtornos alimentares reconhecidos e descritos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais é o Transtorno de Compulsão Alimentar.
O transtorno de compulsão alimentar pode ser caracterizado pela ingestão, em um período de poucas horas, de uma grande quantidade de alimentos, em comparação ao que outras pessoas comeriam, nas mesmas condições.
Durante os episódios de compulsão, o indivíduo come mais rápido do que o normal e até sentir-se “desconfortavelmente cheio” mesmo não estando biologicamente com fome.
As pessoas que sofrem desse transtorno, em geral, costumam sentir vergonha e culpa após essas refeições, devido à grande quantidade de comida ingerida e a sensação de descontrole sobre o ato de comer.
Causas
As causas relacionadas ao transtorno de compulsão alimentar são multifatoriais e os mecanismos envolvidos não estão completamente esclarecidos. Fatores genéticos, biológicos, psicológicos e comportamentais podem estar associados à doença.
Restrições alimentares, transtorno de humor e estresse estão entre os agentes desencadeadores dos eventos compulsivos. As adversidades emocionais enfrentadas pelo indivíduo com transtorno de compulsão alimentar, são gatilhos para a alimentação em excesso, como um mecanismo de defesa e busca pelo alívio imediato das dificuldades e a sensação de prazer.
Diagnóstico
Segundo o mais recente Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5), o diagnóstico do transtorno da compulsão alimentar requer a identificação de alguns critérios clínicos como:
- Episódios de compulsão alimentar nos quais o paciente come, num período de 2 horas, uma quantidade de alimentos que é muito maior do que aquela que a maioria das pessoas comeria em período e condições semelhantes;
- Durante os episódios de compulsão, os pacientes sentem que não têm controle sobre a situação. Eles não conseguem parar de comer e nem controlar a quantidade de comida ingerida;
- Os episódios de compulsão apresentam pelo menos três das seguintes características:
- Comer mais rapidamente do que o normal;
- Comer até sentir-se desconfortavelmente cheio;
- Comer grandes quantidades de alimentos quando não se tem fome;
- Comer sozinho devido à vergonha provocada pela quantidade de alimentos consumidos;
- Sentindo-se enojado de si mesmo, deprimido ou com intensa sensação de culpa após comer demais
- Os episódios devem ter ocorrido, em média, pelo menos uma vez por semana nos últimos três meses.
O transtorno de compulsão alimentar é diferenciado da bulimia nervosa (que também envolve compulsão alimentar) pela ausência de comportamentos compensatórios (por exemplo, vômitos autoinduzidos, uso de laxantes ou diuréticos, excesso de exercícios, jejum).
Tipos de compulsão alimentar
Uma vez identificado e diagnosticado, pode-se especificar a gravidade atual do quadro, o nível mínimo de gravidade baseia-se na frequência de episódios de compulsão alimentar:
- Leve: 1 a 3 episódios de compulsão alimentar por semana;
- Moderada: 4 a 7 episódios de compulsão alimentar por semana;
- Grave: 8 a 13 episódios de compulsão alimentar por semana;
- Extrema: 14 ou mais episódios de compulsão alimentar por semana.
Quais são os riscos associados à compulsão alimentar?
Pessoas com compulsão alimentar possuem grandes riscos de desenvolver outros tipos de problemas relacionados à saúde, como:
- Obesidade;
- Depressão
- Bulimia
- Diabete tipo 2;
- Hipertensão;
- Cálculo renal;
- Apneia do sono;
- Diminuição da capacidade respiratória;
- Gastrite;
- Refluxo;
- Infertilidade;
- Insuficiência cardíaca e problemas vasculares.
Tratamento
O tratamento para o transtorno de compulsão alimentar deve ser realizado de forma multidisciplinar, através do acompanhamento com o médico psiquiatra, médico nutrólogo, nutricionista, psicoterapeuta e preparador físico.
O tratamento deve abranger o uso de medicamentos que ajudam a controlar a ansiedade e inibem o apetite, mudanças nos hábitos alimentares, através da reeducação alimentar e o acompanhamento com psicoterapia, visando ajudar o paciente a compreender os gatilhos mentais que podem despertar os episódios de descontrole como ansiedade e estresse.
Recomenda-se também a prática de exercícios físicos que ajudam o paciente a manter corpo saudável e auxiliam na produção de hormônios como a endorfina, que aumentam a sensação de prazer e saciedade e ajudam no controle da ansiedade, proporcionando maior bem-estar.
Como prevenir a compulsão alimentar?
É possível prevenir a compulsão alimentar por meio de hábitos saudáveis e uma rotina equilibrada, sempre priorizando:
- Manter um horário fixo para realizar as refeições;
- Alimentar-se a cada três horas, evitando, intervalos longos sem alimento;
- Mastigar mais vezes e mais lentamente;
- Manter uma dieta equilibrada, aliada, rica em alimentos saudáveis e mais naturais;
- Dormir pelo menos 7h por noite;
- Praticar exercícios físicos regularmente;
- Beber mais de 2l de água por dia;
- Investir em atividades relaxantes como ioga e meditação.
Se você ou um membro da sua família possuem alguns dos sintomas apresentados acima, busque ajuda médica de um psiquiatra para realizar o diagnóstico e tratamento adequado, que ajude a garantir saúde e uma melhor qualidade de vida.